POLÍTICA: Mesmo com Wendel Lagartixa preso, Anne quer disputar uma vaga na Assembleia Legislativa
Sem Mordaça RN A tentativa de Anne Lagartixa de se viabilizar como candidata a deputada estadual nasce sob o peso de uma contradição difícil de esconder. Filha do policial reformado Wendel Lagartixa, que obteve mais de 88 mil votos na última eleição para a Assembleia Legislativa, Anne tenta herdar o capital político do pai justamente no momento em que ele está preso na Bahia, fator que, por si só, reduz drasticamente suas chances eleitorais.
Wendel Lagartixa, goste-se ou não, ainda mantém forte apelo popular junto a uma parcela significativa do eleitorado potiguar, que o enxerga como símbolo de enfrentamento ao crime e de discurso duro na segurança pública. Esse crédito político existe, é real e poderia ser decisivo em uma eleição. O problema é que ele está atrás das grades. E, na política, ausência cobra um preço alto.
Mas não é apenas a prisão do pai que enfraquece Anne. Ela própria contribuiu para minar a confiança do eleitorado que poderia sustentá-la. Como presidente da comissão que analisou a cassação da vereadora Brisa Bacchi, Anne teve a chance de mostrar pulso, liderança e fidelidade à base que a elegeu. Preferiu a hesitação.
O resultado foi desastroso: o processo se arrastou, Brisa Bacchi venceu na Justiça e permanece no cargo. Para agravar ainda mais a situação, Anne declarou em entrevista ao jornalista Gustavo Negreiros que se sentia “constrangida” em cassar uma colega com quem mantinha certa amizade. A fala caiu como uma bomba entre seus eleitores.
Nas redes sociais, a reação foi imediata e massiva. Cerca de 90% do eleitorado que se identifica com Wendel e com o discurso que ele representa se voltou contra Anne, acusando-a de fraqueza política, incoerência e falta de compromisso com o que defendia em campanha. Para esse público, amizade não pode se sobrepor ao dever político, e Anne falhou justamente quando mais precisava se afirmar.
É verdade que Anne ainda pode até sonhar com uma vaga. Política não é matemática exata. Mas o cenário é cruel: sem o pai em liberdade para transferir votos, fazer campanha ativa e reacender a chama de seu eleitorado fiel, as chances se tornam mínimas.
Wendel ainda tem crédito com a população que o admira. Anne, não.
Ao vacilar no momento decisivo, ao optar pela inércia quando se esperava firmeza, Anne perdeu a oportunidade de construir um nome próprio. Hoje, carrega apenas o sobrenome, e nem isso, sozinho, parece suficiente.
A situação de Anne é tão delicada que nem mesmo sua suplente, Leila Maia, pretende apoiá-la. Leila já sinalizou que deverá caminhar com outro candidato, deixando ainda mais evidente o isolamento político que cerca a tentativa de Anne de se viabilizar eleitoralmente.




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