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Natal,14/04/2026

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ARTIGO: Na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o mérito virou exceção, e o privilégio, regra no valor de 1.544,29

@semmordacarn_
ARTIGO: Na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o mérito virou exceção, e o privilégio, regra no valor de 1.544,29 Sem Mordaça RN


Hoje à tarde, durante um café na Pão Petrópolis, vivi uma daquelas situações que dizem muito sobre o que está acontecendo dentro da segurança pública do estado, e, principalmente, dentro da Polícia Militar.

Fui abordado por um policial militar da ativa. Ele me reconheceu, disse que admirava meu trabalho e, sem rodeios, abriu o coração: afirmou que não aguenta mais o nível de injustiça dentro da corporação. Não era discurso ensaiado. Era desabafo de quem está no limite.

Segundo ele, vem sendo “massacrado” por integrantes da alta cúpula. Mostrou processos administrativos que responde mesmo após ter atuado em confronto armado, baleado um suspeito, apreendido arma e conduzido o ferido para atendimento hospitalar, ou seja, cumpriu o protocolo, preservou vidas e fez exatamente o que a sociedade espera de um policial.

E o que recebeu em troca? Processo.

Enquanto isso, segundo o próprio relato, colegas que trabalham muito menos estariam sendo beneficiados por esquemas de favorecimento a famosa “peixada”, com gratificações elevadas, diárias generosas e uma rotina confortável, distante da linha de frente.

Após a conversa, ficou impossível ignorar. Em casa, fui ao Portal da Transparência e encontrei registros de remunerações adicionais que levantam questionamentos legítimos. Um exemplo: valores extras de R$ 1.544,29 pagos a integrantes ligados ao chamado “Comando Geral”. Se há legalidade nesses pagamentos, ótimo, mas onde está o critério? Onde está a transparência que justifique quem recebe e por quê?

O problema não é pagar bem. O problema é pagar mal para quem arrisca a vida e recompensar melhor quem sequer está exposto ao mesmo risco.

Esse tipo de distorção corrói qualquer instituição. Desmotiva o policial que está na rua, enfrentando o crime, e fortalece a sensação de que esforço e resultado não são critérios determinantes para reconhecimento dentro da corporação.

Há quase oito anos sob a mesma linha de comando, a pergunta que fica é simples: que exemplo está sendo dado?

Porque, na prática, o que se percebe e o que foi relatado, é um cenário onde:

quem trabalha mais responde mais;

quem se expõe mais sofre mais pressão;

e quem tem padrinho cresce, recebe e se mantém protegido.

Isso não é apenas injusto. É perigoso.

Uma polícia desmotivada, dividida e desacreditada internamente perde eficiência nas ruas. E quem paga essa conta é a população.

Este artigo não expõe nomes por um motivo claro: o medo de perseguição ainda é real. E isso, por si só, já diz muito.

Se há erros, que sejam corrigidos. Se há distorções, que sejam explicadas. Mas o silêncio e a omissão só reforçam a percepção de que existe, sim, um sistema que privilegia poucos enquanto sacrifica muitos.

E uma instituição que deveria ser símbolo de justiça não pode conviver com a sensação de injustiça dentro de casa.




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